Imprensa Internacional

Trump e o Eixo do Mau

Professor Luís Fernando Vitagliano

Talvez, na atual conjuntura, as opções estéticas ligadas ao corte e cuidados com os cabelos tornem-se questão de política internacional. Dado o gosto de dois dos principais personagens das tensões internacionais, ainda é positivo supor que aquilo que está acima da cabeça não determina pensamentos e expressa política de Estados.

De um lado o empresário e especulador do campo imobiliário Donald Trump, sua aventura no marketing político e a bem sucedida ação rumo à Casa Branca, de outro lado Kim Jong Un, herdeiro do trono totalitário da Coreia do Norte. O que ambos têm em comum? Além do fato de pouco iniciado na diplomacia internacional, de serem pouco afeitos às ações diplomáticas e usarem palavras ameaçadoras como estratégia de negociação? Nada disso seria grave se ambos não estavam à frente de Estados com capacidade atômica.

Trump até duas semanas antes das eleições estadunidenses  não tinha sequer assessor de política externa. Tudo que dizia e prometia sobre política externa dos EUA era sua própria opinião, sem nenhuma orientação profissional do que era possível ou plausível.

Mas, Trump já admitiu que ser presidente dos EUA não é tão fácil quanto ele supunha e ao completar 100 dias a frente do cargo já faz um balanço. E uma das questões que mais escancarou seus problemas foi o que seu último antecessor republicano chamou de eixo do mau. Não que isso exista de fato, mas estava claro que eram países que não seguiam a liderança ocidental dos EUA o que trazia alguma medida de prejuízo ao poder norte-americano.

Venezuela, Irã e Coreia do Norte foram eleitos por George W. Bush os pontos de maior tensão internacional. Mas os fatos não seguiram o diagnóstico e na verdade foram Iraque e Afeganistão que se tornaram alvo do texano depois do 11 de setembro. Obama enfrentou a crise internacional da economia e silenciosamente violou todos os direitos humanos ao tratar a questão do Oriente Médio.

Trump elegeu aos árabes e mexicanos as principais ameaças de sua administração. Agora tem que enfrentar as desmedidas palavras de Kim Jong-Un. Foi ríspido com Angela Merkel, mas a Alemanha é fundamental para conter as ameaças turcas de abertura das fronteiras para a passagem de refugiados da guerra Síria para a Europa, junto com militantes do ISIS. Trump queria uma vitória de Le Pen na França, mas talvez tenha que se contentar com Macron. Faz anos que os EUA querem fora do governo da Venezuela os bolivarianos, mas apesar de tudo a constituinte proposta por Maduro o permite uma sobrevida.

A maior lição que os EUA têm visto é que não podem ignorar o passado intervencionista que os cerca e também não podem exigir que o mundo aceite suas regras como se abrissem mão da soberania. De Bush a Trump a mudança no mundo não foi grande, mas os EUA não podem simplesmente sair de cena como se nada tivesse acontecido ou eles nunca tiveram responsabilidade em nenhum evento internacional, mesmo com o prejuízo financeiro que eles agora querem calcular.

Do Trump candidato e de suas intenções para o Trump presidente enfrentando o mundo real restam apenas tweets.

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