Análise da Semana, Política Externa

Como foi a semana da Política Externa dos Estados Unidos?

Leonardo dos Santos Delduque

Neste espaço, na semana passada, tivemos a oportunidade de acompanhar alguns detalhes sobre a primeira viagem internacional de Donald Trump. Vimos que o presidente recebeu “conselhos” do papa quanto a questões de mudanças climáticas. No entanto, pelo desenrolar dos acontecimentos sua posição controversa não se alterou, sendo este um dos motivos pelos quais anunciou a saída dos EUA do Acordo Climático de Paris.

Esta saída pode nos indicar a conversão de uma dupla problemática para as questões internacionais: a primeira está ligada a fala de Trump durante o discurso, mencionando que a causa para a retirada do acordo internacional foi a manutenção dos empregos da economia interna dos EUA. A segunda é uma indagação e nos faz questionar a soberania dos Estados, se esta é absoluta ou/e se os constrangimentos externos são levados em consideração no processo de tomada de decisão?

Sobre o primeiro tópico, como sabemos cabe aos tomadores de decisão levar adiante as preferências que seus governos consideram relevantes, decisões como a intervenção no  mercado norte-americano, mesmo que sejam feitas sob acordos internacionais, devem passar pelo crivo do processo decisório interno para seguirem a adiante. O que nos leva a conclusão que as relações externas expressas na política externa de um país passam pela “caixa preta” do Estado, ou seja, existem variáveis internas (como a percepção do presidente sobre um assunto) que devem ser levadas em consideração.  

No que toca o segundo ponto, a indagação nos faz problematizar a questão da relação dos EUA com os outros atores do Sistema Internacional, uma vez que a pressão para que os norte-americanos se mantivessem no acordo foi grande e expressa publicamente por nações como França, Reino Unido, Canadá, Alemanha e etc. Porém, nos foi mostrado que independente dos constrangimentos externos o governo Trump teve capacidade de atuação suficiente para manter esta dura posição.

Por fim, vale chamar atenção para algumas consequências deste debate, a primeira delas é se Trump não sofrerá nenhuma retaliação, seja ela de qualquer natureza, por tomar uma medida “impopular” frente ao Sistema Internacional. E a segunda é como fica sua situação interna, uma vez que ainda responde no Congresso por seu suposto contato com integrantes do governo russo durante sua campanha e agora instalou-se uma situação com estados federados como a Califórnia e Nova York, além da cidade de Pittsburgh, que anunciaram publicamente que seguirão o Tratado de Paris independente da decisão do presidente.

Para saber mais:

 

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