Análise da Semana, Política Externa, Relações Exteriores

EUA e Oriente Médio

Leonardo dos Santos Delduque

Segunda-feira (05/06) seis países do Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita e Egito, cortaram relações diplomáticas com o Estado do Catar.

A princípio o leitor deve estar se perguntando o que isso tem a ver com a política externa norte-americana. Eu explico, essa situação ocorre logo após a viagem de Donald Trump à região, na qual pudemos observar sua mudança de preferências ao realinhar-se com Arábia Saudita e Israel, numa forma de tentar combater o terrorismo na região. Na terça-feira (06/06) ao comentar esta situação o presidente norte-americano assumiu crédito pelo movimento, liderado pela Arábia Saudita, vir logo após seu diálogo “empoderando” Riade.

Não obstante, uma imagem maior precisa ser desenhada para tentarmos entender a situação. Comecemos por quem é o país Catar: incrustado no Golfo Pérsico este pequeno país é um dos maiores produtores de gás natural do mundo, geopoliticamente localizado entre Irã e Arábia Saudita é estratégico para diversos atores, inclusive aos EUA, motivo pelo qual este mantém sua maior base militar no Oriente Médio naquele país e, por fim, é um Estado que tenta se projetar globalmente, financiando um dos maiores canais de comunicação do mundo, a Al Jazeera, e é a futura sede da Copa do Mundo de 2022.

Como nós vimos insistindo a região detém uma balança de poder delicada e uma alteração como a provocada por este acontecimento gera movimentações em todos os atores presentes e com interesses por lá. Tendo isto em mente podemos compreender o envio de tropas por parte da Turquia ao Catar, pois as obras para a Copa vêm sendo realizadas majoritariamente por empreiteiras turcas – angariando lucros consideráveis – criando assim um polo que os turcos dificilmente deixariam de preocupar-se.

Além disso, o Irã (outro ator importante) mesmo com o bloqueio aéreo imposto enviou aviões com suprimentos para o país, pois devido ao corte de relações há dificuldade para o abastecimento de comida no Catar, uma vez que este importa grande parte de seus alimentos. Este movimento tem uma de suas causas na tentativa dos países sunitas em isolar o Irã, obrigando-o a reforçar alianças com potenciais parceiros e podendo, de certa forma, aproximar os dois atores ainda mais.

Por fim, vale mencionar duas coisas: a primeira delas é que a decisão de Washington em privilegiar Riade, diminuindo o peso dado a Teerã, só faz acirrar os antagonismos na região, pois os termos da Arábia Saudita para estabilidade vêm com grandes consequências e não envolvem o Irã, ator que também tem papel decisivo no Oriente Médio. A segunda é que Trump pode ter aguçado outro vespeiro (a despeito da Coreia Norte) com sua política externa “America First”. O que nos resta é acompanhar.

Vídeo sobre o tema:

Para saber mais:

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