Análise da Semana, Política Externa, Retrospectiva Histórica

As Relações entre EUA e Cuba Através dos Anos

Leonardo dos Santos Delduque

A história das relações entre Estados Unidos e Cuba confunde-se, em parte, com a história dos acontecimentos do mundo. Os países têm protagonizado momentos de aproximação e momentos de maior tensão. Podemos enquadrar a ação da diplomacia dos EUA, revisando parte do acordo que retomava as relações rompidas durante a Guerra Fria, como mais um dos momentos em que o esfriamento na relação prevaleceu.

Desde o final do século XIX e início do XX, quando os EUA já despontavam como uma relevante nação no cenário internacional, seus vizinhos mais próximos passaram a receber cada vez mais sua influência. Para ficar apenas com o caso cubano: de 1906 a 1922 a ilha foi palco de cinco grandes intervenções por parte dos norte-americanos, sempre orientadas pela Emenda Platt – norma que regulava as relações econômicas cubano-americanas e permite controle de recursos cubanos por parte dos EUA.

Durante os anos 1930 e 1940 houve um aprofundamento na relação econômica entre os países, chegando ao ponto de 75% de tudo que havia de importado na ilha fosse proveniente dos EUA. Ademais, Cuba também se encontrava sob o “guarda-chuva” de defesa dos Estados Unidos – em laços informais desde sua independência da Espanha em 1898 e institucionalizado com a criação do TIAR em 1947.

Esta situação veio a se alterar com a Revolução de 1959, quando Fidel Castro, liderando um contingente de revolucionários, tomou para si o regime que era de Fulgencio Batista, e veio, logo em seguida, a alinhar-se com o bloco liderado pelo regime soviético. A retaliação por parte de Washington veio sob diferentes formas, vale lembrar o caso da Baía dos Porcos em 1961 e a posterior imposição sanções políticas e econômicas, as quais duraram por mais de 60 anos.

Já com o fim do Estado soviético em 1991 a ilha sofreu consequências econômicas severas, pois parte de sua economia dependia da troca com a URSS. O desenrolar deste estado de coisas em deterioração contribuiu para o acordo, intermediado pelo Papa Francisco, firmado com a administração Obama, visando derrubar gradualmente algumas sanções que atingem a ilha e retomar as relações diplomáticas rompidas.

No entanto, como vimos, o presidente Donald Trump, ainda com tons de Guerra Fria, argumentou que “não levantaremos sanções até que a liberdade de expressão seja respeitada, que todos os partidos sejam legalizados, que eleições livres sejam realizadas”, colocando em xeque as negociações anteriores. Medida para agradar seus eleitores? Pressão do Partido Republicano? Mostra de força perante os outros Estados? Não obstante qualquer uma dessas respostas, esta é mais uma ação que acirra os ânimos entre os EUA e os diversos outros atores no cenário internacional.

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