Análise da Semana, Conflitos, EUA, Intolerância

A Mídia boliviana e a violência em Charlottesville

Luísa da Silva Gomes

Dos 5 periódicos bolivianos analizados, todos eles publicaram ao menos cerca de cinco matérias sobre Charlottesville, onde todos ou a maioria deles deram maior enfoque ao posicionamento e declarações do presidente estadunidense Donald Trump do que ao “evento” promovido por grupos racistas e as circunstância que o levaram a ocorrer.

“El Deber”, foi incisivo ao usar a palavra neonazista do começo ao fim de uma notícia sobre o ocorrido. Além disso, não estampou uma foto da cidade da Virgínia, mas sim, uma foto de Trump correlacionada a ambiguidade do presidente em suas declarações. Apesar disso, a notícia só apontou para um lado dessa ambiguidade, como em “as palavras de Trump foram bem recebidas pelo ex-líder do Ku Klux Klan e pela ultradireita”. Ao final da reportagem, o jornal afirma que durante esta nova Era vivenciada pelos EUA, o país pertence ao KKK, neonazistas e nacionalistas brancos.

Porém em outra reportagem, fez um apanhado de algumas das opiniões públicas, onde foi menos generalista com os americanos, pois também destacou declarações que condenam as atitudes racistas, como a de Barack Obama e dos ex-presidentes Bush.

Em contrapartida, a mídia digital do jornal “La prensa” foi mais contido em suas declarações, e embora tenha dado bastante ênfase em Trump, foi bem mais ameno ao tratar das opiniões do presidente destacando principalmente os discursos em que o presidente posicionou-se contra o racismo no país.

“El país” publicou no dia 25 de agosto “A ultradireita político-social torna-se mais forte quando são incitadas por ninguém menos que o presidente Donald Trump “, que apesar de deixar claro o posicionamento do jornal acerca do atual presidente foi o periódico que menos deu ênfase nas opiniões do governante e mais dialogou com o ocorrido (independentemente de ter sido arbitrário ou não, pois de fato, este não é o ponto*) e sobre as outras opiniões em questão acerca do tema.

*O ponto em questão é, atualmente, a imprensa boliviana de modo geral, mesmo diante de todos os acontecimentos sociais permanece voltada para política dos Estados Unidos. A relação entre os dois países tem sido conturbada por um longo tempo, vale lembrar da expulsão mútua de embaixadores dos países em 2008, ou ainda é fácil perceber a turbulência em uma simples busca no google quando se procura por “Evo Morales Estados Unidos” nos deparamos com uma enxurrada de “acusa, ataca, golpe, ameaça” e o antigo e atual presidente boliviano Evo Morales deixa claro qual seria seu posicionamento sobre os Estados Unidos.

É evidente que as declarações de Trump são ambíguas onde o presidente se esforça para ser condizente com a marcha contra o racismo, resta saber se essa atitude é fiel ao posicionamento dele ou não. Por fim, gostaria de enfatizar que o presidente de um país, principalmente uma figura tão política e ao mesmo tempo do povo como o Evo e, que ainda, evidencia sua imparcialidade como ele faz, pode representar para a população. E para finalizar, gostaria de lembrar que a política twitter não é um mérito apenas do presidente americano, Evo publica diariamente em sua rede social. Segue a publicação mais recente acerca do assunto:

(Anexada uma foto de Martin Luther King em seu mais famoso discurso)

“Como hoje, 1963, Martin Luther King fez seu famoso discurso contra o racismo e a discriminação nos EUA. Trump deveria recordar-se de sua mensagem ”.

Para saber mais:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s