Conflitos, Coreia do Sul, Economia, Política Externa

Os EUA e a Coreia do Norte

Leonardo dos Santos Delduque

A região do pacífico tem experimentado cada vez mais um aumento de ações conflitivas. Estados Unidos e seus aliados na região e a Coreia do Norte estão protagonizando diversos episódios que tem chamado à atenção da comunidade internacional. Não só instalando um clima de apreensão como também gerando discussões acerca dos rumos para os quais a situação deve ser conduzida.

Há precedentes históricos muito fortes que nos permitem inferir que diversos conflitos iniciaram não pela vontade tácita dos atores envolvidos, mas pela falta de uma percepção mais aguda de uma das partes, por um incidente trivial que levou a uma escalada sem controle ou mesmo pela incapacidade de enxergar alternativas que não a solução bélica, estas muitas vezes sendo reveladas posteriormente aos fatos.

Longe de querer apresentar qualquer possível solução, em que pese o tamanho do problema, o texto apresentará alguns possíveis caminhos que têm sido ventilados na grande imprensa norte-americana, por diversos agentes envolvidos com a situação, e que podem gerar drásticas consequências, até mesmo caindo em uma das três armadilhas acima mencionadas. Mapeamos tópicos que se dividem em dois grupos.

Há o argumento que é possível retornar com as armas nucleares americanas antes instaladas na Coreia do Sul, numa forma de contrabalancear e criar deterrência frente ao regime de Kim Jong Un. O Ministro da Defesa da Coreia do Sul e o político Hong Joon Pyo, líder do partido de oposição “Korean Liberty Party”, não tem reservas a esta ideia, pois entendem que “os sul–coreanos viraram reféns das armas nucleares da Coreia do Norte”. Esta visão também alinha-se, em parte, à do presidente Trump que argumentou que é necessário “maximizar a pressão na Coreia do Norte usando todos os meios necessários”, vale lembrar que os EUA são tradicionais aliados da Coreia do Sul.

Por outro lado, existem os que acreditam que as medidas de negociação diplomática, juntamente às sanções sobre o fluxo de petróleo, ainda estão na mesa, sendo desnecessária a demonstração de força bélica para conter Pyongyang. Como indica ser a posição do presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in e de seu Ministro de Relações Exteriores, Khang Kyung-wha, o presidente assegurou que “não desistirá do objetivo de trabalhar junto com seus aliados para buscar uma pacífica desnuclearização da Península da Coreia”. Claramente também é a posição chinesa, que foi reforçada por Liu Jieye, embaixadora chinesa para as Nações Unidas, dizendo que “a China não permitirá caos e guerra” – a China continua sendo o principal parceiro comercial da Coreia do Norte e é considerada o fiel da balança nesta conjuntura.

As assertivas dos atores envolvidos “falam” com o processo decisório de suas respectivas políticas externas, pois eles estão em posições-chave no que diz respeito ao conteúdo das ações de seus países. Mesmo eles tendo posições distintas sobre a abordagem do quadro de acontecimentos, cabe-nos notar futuramente, a despeito de qualquer julgamento valorativo, qual estratégia prevalecerá e, mais importante ainda, qual desses atores (Casa Branca, Ministério da Defesa sul-coreano, presidência da Coreia do Sul e Ministério de Relações Exteriores, líderes sul-coreanos de oposição, o governo da China e etc.) terá força para levar adiante a sua vontade política ou pelo menos barrar a posição antagônica.

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