Análise da Semana, Bloqueio, Conflitos, Política Externa, Terrorismo

EUA e Disputa no Oriente Médio

Leonardo dos Santos Delduque

Já escrevemos aqui neste Observatório sobre o bloqueio imposto ao Qatar por alguns países do Oriente Médio. Neste fim de semana, mais um desdobramento do antagonismo veio à tona, pois, pela primeira vez desde que as hostilidades instalaram-se, representantes da Arábia Saudita (principal articulador do bloqueio) e do Qatar conversaram via telefone. A medida, que foi intermediada pelo presidente Donald Trump, não foi bem sucedida.

Vimos que Donald Trump escolheu como seu primeiro destino internacional a Arábia Saudita, que é um tradicional aliado de Washington, num movimento que foi encarado como um realinhamento. Este estreitamento de relações contribuiu para “empoderar” Riad, especialmente sobre o combate ao terror, motivo pelo qual emergiu o fechamento das relações com o Qatar, acusado de financiamento ao terrorismo. Até aqui nada de novo.

Porém, apesar de ter assumido o crédito pela ação enérgica dos sauditas, segundo a imprensa, o presidente foi adotando uma posição mais balanceada, notavelmente por insistência do Secretário Rex Tillerson. Levando em consideração, é claro, o fato dos norte-americanos possuírem sua maior base fora dos EUA no Qatar, estrutura central para o combate ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Ao mesmo tempo também o “lobby” sobre a narrativa deste choque aumentou consideravelmente, tanto na sociedade norte-americana quanto para as sociedades dos Estados envolvidos. A monarquia saudita e a do Qatar lutam para legitimar seu lado da história, numa forma de fazer com que sua posição, e por conseguinte seus interesses, sejam harmonizados frente aos outros países.

Os sauditas querem que suas imposições (especialmente sobre a Al Jazeera) sejam aceitas, já os catarianos querem o fim da barreira comercial e área a seu país, sob a alegação que este bloqueio nada faz ao não ser tentar diminuir sua projeção internacional. Os norte-americanos por sua vez querem manter sua posição geopoliticamente privilegiada com o Qatar e manter boas relações que aqueles que Donald Trump acredita que podem trazer estabilidade ao Oriente Médio – os sauditas.

Por fim, vale dizer que as narrativas são adotadas ou descartadas pela percepção que os tomadores de decisão, encarregados da condução dos negócios externos, têm frente ao problema e de sua avaliação sobre as condições objetivas para se manterem ou não em uma determinada linha de ação. No desenrolar dos próximos acontecimentos veremos qual avaliação e qual narrativa contempla e acomoda o maior número de interesses objetivos e subjetivos dos vários atores envolvidos.

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