Comércio, Coreia do Norte, Eleição, Nacionalista, Protesto, Sistema Político

O agridoce das eleições alemãs e discordância com Trump

 

Eloisa Salles Gomes

Na última terça-feira (19/09), Angela Merkel se posicionou totalmente contra a ameaça feita pelo presidente norte-americano Donald Trump de “destruir totalmente” a Coreia do Norte. “E devo dizer, em meu nome e em nome do governo alemão: consideramos qualquer tipo de solução militar absolutamente desmedida e apostamos em esforços diplomáticos”, declarou a líder alemã em uma entrevista ao jornal DW.

Merkel ainda defendeu a imposição de sanções mais severas ao país asiático e ainda reforçou que “qualquer outra coisa eu considero errada em relação à Coreia do Norte. Nesse ponto há uma clara dissensão com o presidente americano”. O país é um dos únicos que possuem uma embaixada norte-coreana em sua capital, Berlim, como também possui uma representação diplomática em Pyongyang, situação herdada da Alemanha Oriental.

Já a situação doméstica da Alemanha se encontra um tanto conturbada. Com a eleição de ontem (24/09), pela primeira vez após a 2ª Guerra Mundial, um partido populista nacionalista conseguiu se consolidar no parlamento como a terceira maior força política. Com a ascensão do partido AfD – Alternativa para a Alemanha (em alemão: Alternative für Deutschland), o Bundestag estudou alternativas para lidar com os nacionalistas antes mesmo do resultado das eleições, o que explicita o incômodo dos demais parlamentares.

Além da presença da extrema-direita, a vitória de Merkel pela quarta vez seguida (já são mais de 12 anos no governo) não trouxe um resultado satisfatório. Seu partido teve o pior resultado da história, com 33% dos votos, obteve uma queda de 8,5 pontos percentuais desde a última eleição, juntamente com o SPD que em segundo lugar com 20,5%, teve 5,2 pontos em queda. O resultado não agradou em nada os sociais-democratas, que declararam o fim da união com o governo Merkel, sendo assim pertencerão, agora, à oposição. “Este é um resultado muito ruim para o SPD, uma derrota muito dura. Para nós, a grande coalizão acaba aqui”, afirmou a vice-presidente do partido, Manuela Schwesig, anunciando o divórcio que mais tarde foi confirmado por Schulz.

Mesmo com uma vitória acirrada, Merkel promete manter suas principais políticas de Estado, como a defesa do livre comércio e a permanência na União Europeia. A noite de eleições na Alemanha foi marcada por protestos na capital (Berlim) e em outras grandes cidades contra a entrada da AfD no parlamento, ao mesmo tempo que vários populistas como Marine Le Pen (líder da francesa Frente Nacional) e  Geert Wilders (da frente populista holandesa) comemoraram o resultado.

Para saber mais:

Declaração de Merkel em relação à Coreia do Norte (vídeo):

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