Conflitos, Eleição, Imigração, Intolerância, Xenofobia

Imigrantes como tática política russa e a xenofobia

Kawany França Leite

Nos últimos 20 anos, os imigrantes se tornaram parte integrante das cidades russas. Só no ano passado, 16 milhões de pessoas entraram no país, 12 milhões das quais eram provenientes de países da Ásia Central; isso significa uma quantidade de pessoas equivalente à população inteira de Moscou.

Hoje, essas pessoas são os operários que constroem prédios, metrôs, shopping centers e vias. Elas trabalham nos principais canteiros de obras da cidade e servem a redes de lojas e escritórios terceirizados de serviços de limpeza. Após o colapso da URSS, cidadãos da Ásia constituíram a quinta onda de imigração à Rússia – antes desses, foram ucranianos, azeris, moldavos e armênios.

Por muitos anos, a Rússia tem sido o segundo país a receber mais imigrantes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, porém, 67% dos russos veem os trabalhadores imigrantes como uma invasão de cidadãos de países pobres que deve ser freada e 32% dizem que maior motivo de irritação é o baixo nível de educação e barreira cultural, social e linguística, de acordo com pesquisa do instituto de opinião pública Centro Levada.

Além dos cidadãos da Ásia e outros não eslavos, os russos também são intolerantes com imigrantes, principalmente, provenientes do Cáucaso do Norte. A porcentagem de russos contra esses, na verdade, é ainda maior, atingindo os 41% – contra os 38% de rejeição aos outros. Nos últimos anos, essa intolerância vem crescendo também em relação à ucranianos, enquanto sua atitude tem melhorado quanto a imigrantes do Cáucaso do Sul. “Assim, vemos como eventos políticos internacionais como o conflito com a Ucrânia têm influenciado as atitudes quanto aos trabalhadores imigrantes desse país”, disse Pipia à Gazeta Russa.

Como a Rússia tem mostrado uma disposição mais favorável à Geórgia, isso tem gerado resultados nas relações com os imigrantes.

A imigração tem um impacto significativo na política interna. “Os políticos não são bobos. Eles usam a imigração para seu próprio benefício e para jogar com o humor popular”, diz Pipia.

Durante a corrida eleitoral de 2013, um dos principais pontos da agenda de Aleksei Naválni foi a imposição de um regime de vistos com países da Ásia Central. O político não foi eleito prefeito de Moscou, mas ficou em segundo lugar, com 27 % dos votos.

A xenofobia estava entranhada na sociedade e meses depois gerou protestos no distrito de Zapadnoie Biriulevo, onde funcionava um centro de distribuição de verduras que empregava principalmente imigrantes, resultando em conflitos com a polícia. A imprensa divulgou então que os protestos eram étnicos. Como resultado, os centros de pesquisa de opinião pública naquele ano registraram o maior recorde de aversão a imigrantes desde 2002, de 78%.

Em 2018, a Rússia realizará eleições presidenciais e é possível que a atitude negativa quanto aos imigrantes aumente novamente. O presidente Vladímir Putin tem mantido sua política de lealdade aos imigrantes, demandando uma nova lei para adaptação desses imigrantes e declarando anistia aos que tenham ultrapassado seu prazo de estadia e possibilitando nova entrada desses no país. Todavia, ele também introduziu taxas adicionais de registro e instruiu os oficiais de imigração que se certifique totalmente do propósito e período de estadia desses imigrantes na Rússia.

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