Campanhas, Catalunha, Eleição, Fake News, Interferência

Independência da Catalunha: imprensa espanhola vê “dedo”do Kremlin

Kawany França Leite

Os autores do artigo publicado pelo jornal El Confidencial, afirmam que Kremlin “há anos mexe na ferida da luta catalã pela independência”, pois isso “faz parte da estratégia para enfraquecer a União Europeia”. Segundo os jornalistas espanhóis, a Rússia age com ajuda do fundador, Julian Assange da WikiLeaks, uma organização transnacional que publica informações confidenciais sobre assuntos sensíveis. “Desde 9 de setembro publicou dezenas de tuítes de apoio ao separatismo catalão”.

O portal concluiu tudo isso com base em uma reunião de Assange com o congressista norte-americano, Dana Rohrabacher, que por sua vez, na década de 1990, “conheceu Putin”. Já em abril de 2017, Rohrabacher se encontrou com Carles Puigdemont, presidente regional da Catalunha. Embora Moscou tenha sido repetidamente acusada de se intrometer nos assuntos internos de outros países, essas alegações nunca foram provadas. No entanto, a comunidade internacional ainda considera conveniente culpar a Rússia de seus problemas.

Na terça-feira (26), o embaixador da Rússia na Espanha, Yuri Korchagin, em entrevista à Sputnik, refutou as alegações da mídia sobre o envolvimento do Kremlin no próximo referendo sobre a independência da Catalunha, considerado ilegal por Madri.

O jornal espanhol El País publicou recentemente um artigo, acusando Moscou de tentar influenciar a crise catalã usando a mídia estatal russa para desestabilizar a Europa. De acordo com El País, vários meios de comunicação “vinculados ao Kremlin”, como a emissora RT e a agência de notícias Sputnik, não têm objetividade na cobertura do referendo na região autônoma da Catalunha.

“Nossa posição oficial é conhecida, foi expressa mais de uma vez: [o referendo] é um processo interno da Espanha. Procedemos com base no fato de que todas as questões que surjam durante esses processos internos devam ser resolvidas no âmbito da lei e a Constituição espanholas. A Rússia não está de modo algum vinculada a esses processos e não tem interesse em estar conectada a eles”, afirmou o embaixador.

Korchagin disse que o artigo do El País misturou vários tópicos e acusou a Rússia de orquestrar várias campanhas secretas para influenciar a política em outros países. Segundo o embaixador, a sociedade espanhola passou por vários períodos complicados, o que permitiu “desenvolver imunidade contra várias insinuações politizadas e motivadas por ideologias”.

Korchagin disse que a embaixada da Rússia enviou uma carta aberta ao El País, que foi publicada pela versão online do jornal, e também explicou o seu ponto de vista através das redes sociais.

“O feedback que recebemos mostra que os espanhóis são ‘imunes’; os leitores não aceitam o ponto de vista sugestivo que culpa a ‘mão de Moscou’ por tudo o que acontece no mundo. As relações russo-espanholas foram e permanecerão – faremos todo o possível para garantir isso – brilhantes, amigáveis e mutuamente vantajosas”, disse Korchagin.

A Rússia enfrentou muitas acusações de interferir nos assuntos de outros países, uma vez que os funcionários e mídia dos Estados Unidos alegaram, após as eleições presidenciais dos EUA em 2016, que Moscou influenciou na votação. Várias autoridades europeias expressaram sua preocupação com a alegada potencial interferência da Rússia nos assuntos internos de seus países. As autoridades russas sublinharam que as alegações são infundadas e salientaram que Moscou nunca interferiu nos assuntos de outros países e não pretende fazê-lo.

A RT e a Sputnik foram repetidamente acusadas de publicar notícias falsas ou cobertura parcial pelas autoridades ocidentais. Em novembro de 2016, o Parlamento Europeu votou a favor de uma resolução para contrariar meios de comunicação com base na Rússia, como a RT e a Sputnik, alegando que representavam uma ameaça à união da Europa. O presidente russo, Vladimir Putin, comentando a adoção da resolução, salientou que isso provava uma aparente degradação do conceito de democracia no Ocidente.

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