Campo de Concentração, Direitos Humanos, Discriminação, LGBT, Liberdade de Expressão, Tribunal

Grupo LGBT russo denuncia campo de concentração gay na Chechênia, Rússia

Kawany França Leite

A discriminação, perseguição e repressão dos homossexuais, ao longo dos séculos, assumiu diversas formas, desde as fogueiras da Inquisição e dos campos de concentração nazistas até as formas mais subtis nestes tempos em que o respeito pelos direitos humanos é uma obrigação internacional dos Estados.

O Tribunal Europeu dos Direitos dos Homens (TEDH) declarou que o país de Putin, com uma sinistra legislação, que afirma visar impedir a promoção e propaganda da homossexualidade junto dos menores, violou (e continua a violar) a liberdade de expressão e o direito de não discriminação em função da orientação sexual.

Putin entrevistado pelo cineasta Oliver Stone, lembrou que durante o tempo soviético, a homossexualidade era um crime e que já não o é, não havendo qualquer razão para criticar esta legislação já que a mesma, visa somente proteger as crianças, permitindo-lhes crescer e amadurecer e, só depois, tomarem uma decisão quanto à sua orientação sexual.

No decorrer de junho, surgiram relatos sobre batidas policiais e prisões secretas que alguns definem como “campos de concentração para homossexuais” na Chechênia, parte da Federação da Rússia. Nestes locais, homossexuais – ou aqueles vistos como homossexuais – apanham, são torturados e, em alguns casos, são mortos ou desaparecem.
Segundo o grupo ativista russo LGBT Network, esse é o primeiro campo de concentração para cidadãos LGBT desde o Holocausto. O campo estaria sendo utilizado para forçar a população homossexual a deixar a região.

“Chechênia está matando LGBT” – Um protesto foi realizado em Tel Aviv, Israel, fora da embaixada russa, pedindo o fim da violência na Chechênia.

As repressões contra homossexuais começaram depois de um pedido para uma marcha de direitos gays na capital de Grozny. A situação da comunidade LGBT na Rússia piorou nos últimos anos depois que o presidente Vladimir Putin revogou uma série de direitos dos gays no país, em 2013.

De acordo com o grupo LGBT, acredita-se que homossexuais têm sido assassinados na região. Os ativistas protestam e alegam que nenhuma norma ou tradição nacionalista ou religiosa justifica qualquer sequestro ou assassinato de seres humanos. “Qualquer referência a tradições que justificam esse tipo de ação é amoral e criminosa”. O ativista Alexander Artemyev, da Anistia Internacional da Rússia, disse ao jornal Metro que este é o caso mais difícil que o grupo já se envolveu. “Estamos prontos para evacuar as pessoas da região”, afirma.

Em relação à veracidade da denúncia, o grupo explica que, por causa do clima homofóbico que domina a região, com uma cultura que honra práticas de violência contra a comunidade LGBT, é praticamente impossível checar as informações. “As pessoas têm medo de falar”, conta Artemyev. “Nós estamos clamando para que as autoridades russas tomem todas as medidas possíveis para investigar o caso”.

O líder da Chechênia, Razman Kadyrov, é próximo a Putin e é um dos responsáveis pela implantação das leis mulçumanas na região. Segundo informação oficial, a Chechênia nega as acusações e alega que não existem homossexuais na região. “Se homossexuais existissem na Chechênia, não haveria necessidade de leis punitivas porque os próprios parentes ficariam responsáveis por mandá-los a um lugar de onde não retornariam”, informou um porta-voz de Kadyrov.

Para saber mais:

 

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