Concurso, Defesa das Mulheres, Estereótipo, Identidade, Joseph Nye, Representação, Soft Power

A Disseminação Cultural sob a perspectiva de um “Concurso de Nações”

João Galdino D. Rodrigues

O tema da semana é bastante estudado e envolve algumas polêmicas. Começaremos com algumas perguntas: Como é identificada a identidade de um país a partir de uma representação cultural? É possível estereotipar uma nação somente com um concurso internacional? Um país consegue criar uma tipificação ideal do nativo “escolhendo” uma pessoa da sociedade para expor um ideal?

Não é possível responder com toda certeza a essas questões sem basear-se em estudos acadêmicos, sendo assim, é possível pensar inicialmente em Joseph Nye, e o conceito de Soft Power, claro que haverá divergências se a mera propagação de poder pelo mundo é Soft Power, entretanto pode-se criar um elo de ligação com o conceito. Posto isso, um concurso como o Miss Universo, a ser analisado aqui, consegue formar um ambiente de “combate” de Soft Powers (que Nye me perdoe, por isso)

Ao analisar o caso da Argentina, percebemos uma construção do estereótipo e da imagem que a Argentina quer passar ao mundo, já que, a candidata para disputar esse ano o concurso nos Estados Unidos é Stefania Incandela, escolhida após um casting, que funcionou como um pré-concurso, uma eliminatória. Ela é uma jovem garota de 22 anos que ganhou essa vaga, também, através de outros concursos de beleza, como o Internacional Reinado do Café que ocorre anualmente na Colômbia. É somente uma garota da sociedade argentina, formada em Relações Públicas, que está sendo trabalhada para propagandear a imagem da Argentina.

A imagem construída que ela deve divulgar, entretanto, merece atenção, pois, em outros eventos sempre foi uma pessoa que quer ser o maior centro das atenções, e sempre com grande carinho e atenção com todos, principalmente crianças.

No ano passado, a imagem não fugiu disso, Estefanía Bernal, a concorrente da Argentina em 2016, uma jovem de 20 anos, utilizou uma “contenda” mundial em seu discurso para ganhar representatividade e demonstrar um ponto da luta interna: “Queria ganhar, representar as mulheres do mundo, usar minha voz para lutar por nossos direitos. Ainda mais com a situação que está passando nosso país com o tema da mulher. Também fazer projetos mediante campanhas ou fundações para conscientizar as pessoas e ajudar os que têm menos”. Lembrando que, na época, Malcorra ainda era Chanceler e tinha um histórico dessa luta, também.

Além desse, há outros discursos em defesa da mulher e de sua posição na sociedade, tomando como contexto a igualdade de gênero, e mais ainda, a escolha livre da mulher nas sociedades latinas patriarcais.

Destarte, o Estado consegue escolher uma pessoa normal na sociedade, estereotipar um tipo ideal e exportar esse tipo por meio de concursos, em detrimento de outras culturas e outras exportações de estereótipos. É difícil duvidar da capacidade da disseminação de poder…

Para saber mais sobre o Soft Power:

  • Soft Power: The Means to Success in World Politics por Joseph Nye (2004) – O termo é anterior a isso, mas esse livro é específico.

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